As pessoas costumam achar que eu sou forte e provavelmente nunca iriam achar que isto me fosse afectar assim. Mas na verdade, acho que de forte não tenho nada, nada.
Sexta-feira, uma rapariga da minha idade, que eu não conhecia, perdeu a vida de forma trágica enquanto cumpria aquilo a que chamam um "dever enquanto cidadã". Já se passaram 4 dias desde então e por muito que eu tente, não consigo pensar noutra coisa. Como é possível? Já me devia ter mentalizado que os acidentes acontecem e que infelizmente há pessoas como eu a perder a vida todos os dias.
Disseram-me nesse dia que "A vida é um acaso". Realmente é. Se estou aqui hoje a escrever isto, é porque por acaso tive a felicidade de não me acontecer nada de mal durante estes anos todos.
Foi dito também que "a vida é injusta". E essa frase, tenho-a ouvido vezes sem conta. Não concordo com isso, acho que o facto de existir vida por si só já a torna espectacular. Eu ia dizer que ninguém tem culpa que algumas pessoas a percam cedo demais. Mas o revoltante é que em muito casos isso acontece. E para mim isso foi o que aconteceu na Sexta-feira. Falta de manutenção, ou pelo menos de BOA e eficaz manutenção. Um cabo de aço não se rompe assim do nada. Um descuido e pronto, acontece uma desgraça como esta.
Não me consigo conformar com isto, não consigo. Também não consigo imaginar o que é ver uma pessoa que nos é querida, cair assim para a sua morte diante dos nossos olhos e sem podermos fazer nada contra isso. Não consigo imaginar o que é que o rapaz que foi antes dela pensou ao ver que teve a maior sorte do mundo. Não consigo imaginar como é que se tem sentido o rapaz que por cavalheirismo lhe cedeu a passagem. Não consigo imaginar o que é que uma mãe sente ao receber uma notícia destas.
Tenho pensado muito nisto, demasiado. E nem a conhecia.
"Não é por não a conheceres que não mexe contigo. Mexeu com todos aqueles que são dignos de dizerem que têm coração. É uma história demasiado trágica e revoltante."
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