segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

J


    Não é peculiar a forma como um objecto, uma música ou um momento nos faz voltar atrás no tempo? Damos por nós mergulhados em memórias, a reviver mentalmente tudo aquilo que outrora vivemos.

   Hoje encontrei perdido no meu quarto, aquele CD que me deste no Natal de 2008. Senti um ligeiro arrepio quando li a data. Já se passaram 4 anos, dá para acreditar?
    Subi até ao sótão e liguei o computador velhinho, aquele onde passávamos tardes inteiras a cuscar o HI5 de mil pessoas do liceu, e onde eu passava manhãs, tardes e noites a falar contigo no MSN. Era um programa mítico, pena que agora já ninguém o use.

    Ao fim de meia hora, consegui ver o que estava escondido no CD - um vídeo que fizeste para mim, com um daqueles textos amorosos mesmo à menina de secundário e imensas fotografias nossas. Éramos tão inocentes , mas julgávamo-nos tão adultas e senhoras do Mundo, com apenas quinze anos. O que sabíamos nós sobre a vida? Aliás, o que sabemos nós sobre ela?

    Eu aprendi que o tempo passa depressa demais, sem darmos por isso. Éramos as melhores amigas, e hoje mal sei quem tu és.
    Só que eu garanto, não importa quantos mais anos passem, que eu nunca me irei esquecer de ti.
   
Tu, a miúda que apareceu do nada no 10º ano, mesmo depois de nove anos passados na mesma turma. Mostraste-me a coisa mais importante que eu aprendi nestes 19 anos, mesmo sem teres noção disso - que o amor é a melhor coisa que existe, e não há nada que se compare a ele.
    Sabes bem que, apesar de tudo, eu ainda te amo.

Obrigada por me teres feito crescer, por me teres ensinado tanto.

domingo, 4 de setembro de 2011

Moving on, letting go


"É preciso saber sempre quando uma etapa chega ao fim...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos de viver.
Encerra ciclos, fecha portas, termina capítulos! Não importa os nomes que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já acabaram.

Foste despedida do trabalho? Terminaste uma relação? Deixaste a casa dos teus pais? Foste viver para outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Podes passar muito tempo a perguntar-te porque é que isso aconteceu…
Podes dizer para ti mesmo que não darás mais um passo enquanto não entenderes as razões que te levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na tua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas essa atitude será um desgaste imenso para todos: para os teus pais, amigos, filhos, irmãos, todos estarão a encerrar capítulos, a virar a folha, a seguir em frente, e todos eles irão sofrer ao ver-te simplesmente parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixa-las realmente irem embora…
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que têm.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está a jogar nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhámos, e às vezes perdemos.
Não esperes que te devolvam algo, não esperes que reconheçam o teu esforço, que descubram o teu génio, que entendam o teu amor. Pára de ligar a tua televisão emocional e de ver sempre o mesmo programa, que mostra como sofreste com uma certa perda: isso estará apenas a envenenar-te, nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que estão sempre a ser adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diz a ti mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembra-te que houve uma época em que podias viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerra ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por arrogância, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na tua vida.
Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacode a poeira. Deixa de ser quem eras, e transforma-te em quem és. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.
E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."


Fernando Pessoa

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Rui Couto


Apresento-vos o Rui. Esta pobre alminha passa a vida a atormentar-me com as suas sessões de aborrecimento total. Numa dessas sessões, à 5 minutos portanto, pediu-me para escrever qualquer coisa no blog para matar a sua seca por uns meros segundos.
E eu, como pessoa querida que sou, fiz-lhe a vontade! Ele recusa-se a criar uma conta no Facebook. Eu já lhe expliquei que isso só o iria livrar de todo esse aborrecimento de morte que ele enfrenta todos os dias, mas ele não entende!

Aqui tens, Ruizinho querido, um post maravilhoso para quebrar o teu tédio *.*

segunda-feira, 11 de julho de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011



As pessoas costumam achar que eu sou forte e provavelmente nunca iriam achar que isto me fosse afectar assim. Mas na verdade, acho que de forte não tenho nada, nada.

Sexta-feira, uma rapariga da minha idade, que eu não conhecia, perdeu a vida de forma trágica enquanto cumpria aquilo a que chamam um "dever enquanto cidadã". Já se passaram 4 dias desde então e por muito que eu tente, não consigo pensar noutra coisa. Como é possível? Já me devia ter mentalizado que os acidentes acontecem e que infelizmente há pessoas como eu a perder a vida todos os dias.

Disseram-me nesse dia que "A vida é um acaso". Realmente é. Se estou aqui hoje a escrever isto, é porque por acaso tive a felicidade de não me acontecer nada de mal durante estes anos todos.

Foi dito também que "a vida é injusta". E essa frase, tenho-a ouvido vezes sem conta. Não concordo com isso, acho que o facto de existir vida por si só já a torna espectacular. Eu ia dizer que ninguém tem culpa que algumas pessoas a percam cedo demais. Mas o revoltante é que em muito casos isso acontece. E para mim isso foi o que aconteceu na Sexta-feira. Falta de manutenção, ou pelo menos de BOA e eficaz manutenção. Um cabo de aço não se rompe assim do nada. Um descuido e pronto, acontece uma desgraça como esta.

Não me consigo conformar com isto, não consigo. Também não consigo imaginar o que é ver uma pessoa que nos é querida, cair assim para a sua morte diante dos nossos olhos e sem podermos fazer nada contra isso. Não consigo imaginar o que é que o rapaz que foi antes dela pensou ao ver que teve a maior sorte do mundo. Não consigo imaginar como é que se tem sentido o rapaz que por cavalheirismo lhe cedeu a passagem. Não consigo imaginar o que é que uma mãe sente ao receber uma notícia destas.
Tenho pensado muito nisto, demasiado. E nem a conhecia.

"Não é por não a conheceres que não mexe contigo. Mexeu com todos aqueles que são dignos de dizerem que têm coração. É uma história demasiado trágica e revoltante."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Putos de Hoje em Dia



Há coisas que me irritam (e olhem que eu nem sou uma pessoa que se irrite facilmente). Aquilo que me irritou e levou a escrever isto, foram os putos mimados de hoje em dia. As crianças estão com um desejo enorme de crescer, não querem ser crianças, querem tornar-se adolescentes e adultos e não têm noção do bom que é ser-se criança. E eu não percebo, juro que não percebo.

Não há nada de bom em ser-se um adolescente, minhas crianças.
Tu acordas de manhã com uma espinha enorme no meio da testa, nascem-te pêlos nojentos, os teus pais dão-te cabo do juízo a toda a hora e ainda há outras coisas horríveis que eu vou deixar que tu descubras por ti próprio.

Quando eu era criança, eu era uma criança bonita. Depois eu cresci e tornei-me nesta bela porcaria. É verdade.
Não pensem que vão crescer e tornar-se naqueles bonitões e boazonas que aparecem na televisão nesses filmes americanos . Não, só uns 10% têm essa sorte. Os outros 90% dos adolescentes, acabam por ficar … Bem, o oposto.

Uma coisa que também está muito na moda agora entre as crianças, é o não querer saber da escola e achar que ser burro e faltar ás aulas é que é fixe. Cambada de imbecis! Tu achas mesmo que o andar a vadiar e ser um enorme jumento, é que é fixe?! Não, seu peido do demónio! Isso não tem nada de fixe! Larga a porcaria do teu portátil e vai gastar esse tempo a aprender qualquer coisa útil. Estuda, dá ouvidos ao que dizem os teus pais, sê curioso e tenta aprender e descobrir o mundo que te rodeia! Não é o maltratar os professores e o achar a escola uma perda de tempo que vão fazer de ti alguém neste Mundo.
Queres acabar como ? Com o 9º ano, se tanto, a arrumar carros? Ou a passar a vida a trabalhar no MacDonald's? Ou o mais provável, acabar numa cela?
Ganhem juízo! Brinquem que é o que vos faz falta, e aproveitem a escola, que a educação é a arma mais poderosa que temos para podermos dar um novo rumo ao nosso país.

Para além disto, ainda há outras coisas que me deixam completamente parva. Eu vejo miúdas de 9 e 10 anos a por fotos semi-nuas e em poses sensuais no hi5 (sim, eu ainda tenho Hi5… Shame on me), eu vejo putos a quererem fumar e beber, a quererem saír à noite, a querer namorar e tudo. Mas não é namoros como aqueles que na minha altura as crianças de dez anos tinham! Quando eu era uma menina de 10 anos os namoros processavam-se da seguinte forma:

Joãozinho: Paulinha, queres namorar comigo? (Na maioria das vezes este pedido era feito através de uma carta escrita numa folha do caderno, com um quadradinho a dizer "Não" e outro a dizer "Sim". Ah, bons tempos!)
Paulinha: Sim, pode ser …
Joãozinho: Ok, então eu vou jogar futebol agora.
Paulinha: E eu vou saltar à corda.

E ia cada um para seu lado e eram muito felizes assim. Se tivessem direito a um beijinho na cara, já era muito bom!
Hoje em dia, os namoradinhos com 10, 11 e 12 anos, já perdem a virgindade um com o outro! PORRA, MAS QUE CENA É ESTA?! Eu com 10 anos jogava Gameboy, brincava ás caçadinhas e tinha posters de Pokémon no quarto (e olhem que com 18 anos eu ainda acho piada ao Pokémon).
E eu nem vou falar de quando elas engravidam! Eu vou embora, antes que eu acabe por espetar o meu computador no meio do chão.

*No dia seguinte*

Bem, estou mais calma.
Agora, falando a sério, se vocês são crianças deixem o Hi5, deixem o Facebook, deixem o telemóvel de lado e ide jogar à bola, correr, andar de bicicleta, brinquem com os vossos brinquedos favoritos e não tenham vergonha disso. Eu com 18 anos ainda gosto de brincar e já sou considerada adulta!
Não tenham pressa em crescer, ser adolescente é uma porcaria. Aproveitem a infância, porque é a melhor fase que vocês alguma vez irão ter na vossa vida. Vão haver muitos anos como adulto, mas como criança, são poucos e passam a correr.
Por isso, não queiras ser algo que não és e não queiras crescer antes do tempo. Quando deres por ti, em vez de estares a aprender a fazer frações, vais estar a aprender a fazer primitivas e integrais, e isso não tem nada de engraçado.
Faz os teus TPC's, pega numa bola, vai brincar e depois pede para a tua mãe te fazer um chocolate quente. Ainda vais ter muitas saudades desse tempo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Acontece


Não é engraçado como ás vezes as coisas vêm tem conosco, sem nós as procurarmos ou pedirmos por isso?